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Dupixent: Chegou a cura para dermatite atópica?

Dermatite atópica (DA) é a principal doença inflamatória crônica da pele, acometendo até 20% das crianças e 3% dos adultos. É caracterizada por uma pele extremamente seca e com coceira intensa, que evoluiu com lesões inflamatórias (eczemas) que frequentemente evoluem para feridas e infecções. A maioria dos pacientes têm acometimento leve e ficam controlados com abundante hidratação e corticoides tópicos tendendo a melhorar comforme a criança cresce.

Infelizmente, uma parcela dos pacientes têm a forma grave da doença e não ficam controlados com as medicações usuais. Esses pacientes apresentam coceira intensa, lesões por todo corpo, infecções cutâneas de repetição, grande comprometimento da qualidade de vida levando a depressão e ansiedade. Até pouco tempo a opção de tratamento para esses casos graves se limitava a imunossupressores, drogas com inúmeros efeitos colaterais e que por vezes não melhoravam o quadro.

Esse mês (fevereiro 2019) foi iniciado a comercialização no Brasil de uma nova droga para DA moderada a grave. Dupixent. Trata-se de um imunobiológico, uma nova classe de medicamentos que está revolucionando o tratamento de doenças graves em diversos campos da medicina.

Os imunobiológicos são proteinas recombinantes, criadas por engenharia genética, semelhantes as proteinas humanas e no caso do dupixent atua inibindo citocinas responsáveis pelo processo inflamatório da pele (IL 4 e IL 13)

O dupixent é o primeiro e único imunobiológico liberado no mundo para tratar DA moderada a grave

Liberado desde 2017 na europa e EUA o Dupixent (dupilomab, laboratorio sanofi) só foi liberado para comercialização essa semana no Brasil.

Os estudos já feitos até agora mostram que essa droga é uma revolução no tratamento da DA moderada a grave:

  • 59% dos paciente tiveram importante redução na coceira pós uso de dupixent associado a corticoide tópico
  • 39% dos paciente ficaram sem lesões ou quase sem lesões após 16 semanas de tratamento
  • 85% dos pacientes apresentaram melhora geral dos sintomas de DA
  • apenas 1,8% dos pacientes tiveram que parar o tratamento devido a efeitos colaterais, geralmente leves e contornáveis

Podemos então concluir que o Dupixent é extremamente seguro, sendo uma ótima opção para substituir os imunossupressores por ter muito menos efeitos colaterais que esses.

Também mostrou uma melhora clínica significativa na maior parte dos pacientes (85%), sendo até mais eficaz que os imunossupressores atuais

 OK. Agora, quais são os contras? 

Ao meu ver essa medicação tem 2 grandes problemas. 

  1. Uso apenas em adultos: Dupixent por enquanto é liberado apenas para maiores de 18 anos. Sabemos que a maioria dos pacientes com DA são crianças, logo a liberação da droga apenas para adultos impossibilita o tratamento de uma quantidade imensa de crianças que sofrem com essa doença. A boa notícia é que o laboratório Sanofi já iniciou estudos fase III com essa droga em paciente de 12-17 anos é a expectativa é que seja liberado para adolescentes nos EUA nos próximos meses.

  2. É MUITO cara. O custo mensal de tratamento é de cerca de 7.000 reais. Os imunobiológicos são drogas caras, todos eles, e o dupixent não é diferente. Ao custo de 7.000 reais poucas pessoas podem comprar. Não é só aqui no Brasil que é cara, nos EUA o custo é até maior, cerca de 35.000 dólares ao ano (10.000 reais/mês). Porem todo medicamento tende a ficar mais barato com o tempo e esperamos que o mesmo aconteça com esse.  Além disso os convênios já pagam o uso de vários imunobiológicos para outras doenças e devem começar a pagar também o tratamento com Dupixent na DA moderada a grave. Outra possibilidade é entrar com uma ação contra o governo solicitando sua compra.

Levando tudo isso em consideração podemos concluir que o Dupixent não é a cura para a DA porem com certeza vai ajudar em muito o tratamento dos pacientes que sofrem com essa enfermidade. Nesse momento existem pesquisas pelo mundo com mais de 20 outras drogas com indicação no tratamento de DA, teremos que aguardar para ver quantas realmente vão parar nas farmácias.

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