APLV – Causas, sintomas e tratamento

16 jul, 2022 | Dr. André Aguiar Gauderer | No Comments

APLV – Causas, sintomas e tratamento

APLV

Muitas pessoas usam a sigla APLV para a alergia à proteína do leite de vaca. Sabe quando seu bebê tem algum tipo de reação incomum quando toma leite? Isso pode indicar que ele tem APLV. A lista de sintomas é extensa e pode incluir fatores respiratórios, cutâneos ou digestivos, e em 90% dos casos as reações vão de leves a moderadas. Então, identificar essa alergia pode ser um desafio, mas é vital quando o quadro se agrava.

Segundo o estudo “Frequency of cow’s milk allergy in childhood”, publicado em 2002, a APLV acomete de 2% a 6% das crianças, com prevalência em bebês de até um ano. No entanto, durante muitos anos essa alergia foi ignorada e tratada com ceticismo porque havia poucos critérios objetivos no diagnóstico. Discussões sobre o tema são extremamente recentes.

Então, vamos falar sobre APLV?

Sumário

O que é APLV?

O leite contém cerca de 20 diferentes proteínas, dentre as quais se destacam a caseína, α-lactoalbumina e β-lactoglobulina. APLV é uma resposta imunológica desencadeada pela presença de uma proteína que o sistema imunológico não reconhece adequadamente.

A APLV acomete principalmente crianças logo após a fase de amamentação e o início do uso de produtos que contenham leite de vaca. Entretanto, pode ocorrer em lactentes que se alimentam exclusivamente do leite materno, sendo nesse caso consequência do alimento ingerido pela mãe. A APLV também tem registros em adultos, mas com menor frequência.

O que causa a APLV?

Como qualquer alergia, a APLV tem relação com uma predisposição genética. Como o organismo das crianças é imaturo, o gatilho dessa alergia é o contato com a proteína do leite.

Nos casos mais severos, esse contato pode ser indireto. Há registros relacionados à alimentação da mãe de crianças que se alimentam exclusivamente de leite materno, por exemplo, e até casos de contaminação cruzada – preparo de comida com panelas ou talheres que anteriormente tiveram contato com leite, ainda que tenham sido higienizados.

Quais são os sintomas

Os sintomas podem ser imediatos e aparecer em até duas horas após a ingestão do leite de vaca. Também podem ser tardios e surgir horas ou dias após a alimentação com leite.

É possível dividir os sintomas entre:

  • Digestivos – São caracterizados por dificuldade de engolir, dificuldade de digestão, falta de apetite, recusa alimentar, saciedade com pouca quantidade de alimento, golfos frequentes, vômitos, cólicas intensas, diarreia com ou sem perda de proteína, sangue ou muco, intestino preso, e assadura na região anal.
  • Respiratórios – Coriza, obstrução nasal, chiado, respiração difícil e tosse (todos não associados a infecção). São sintomas mais raros.
  • Cutâneos – Urticária (placas vermelhas na pele), sem relato de infecção, ingestão de medicamentos ou outras causas. Eczema atópico ou dermatite atópica (ressecamento ou descamação da pele, com ou sem a presença de feridas ou secreção), coceira na pele e inchaço de lábios e pálpebras.
  • Gerais – Dificuldade para ganhar peso, atraso no crescimento e no desenvolvimento, anafilaxia, vômitos e diarreia.

Como identificar os sintomas

Em geral, as reações ao contato com a proteína aparecem em pouco tempo. Contudo, há casos de reações tardias.

Nas reações imediatas, quando a criança ingere o alimento, o organismo produz anticorpos específicos do tipo IgE (Imunoglobulina E). Como há liberação de anticorpos IgE, a criança pode fazer testes alérgicos que medem a presença dessas substâncias para identificar a alergia.

As reações tardias podem aparecer até depois de alguns dias do contato ou da ingestão do leite de vaca. Isso acontece porque o organismo não produz anticorpos IgE específico. A reação é desencadeada por outras células, e por isso não é possível identificar a APLV em exames. Nesses casos, o médico avalia o histórico clínico da criança e sugere mudanças na dieta para testar se o leite e seus derivados são um problema.

Como é o tratamento

O tratamento da APLV deve ser feito sob o acompanhamento de um médico, mas começa excluindo da dieta da criança o leite de vaca. Caso não seja suficiente, são retirados do cardápio os derivados.

Em seguida, o médico pode sugerir mudanças alimentares para a própria mãe. E se nada disso for suficiente, há casos em que o tratamento envolve utilizar apenas utensílios novos, sem qualquer traço de leite ou derivados, na produção da comida da criança.

Se o médico considerar necessário, é possível que o tratamento inclua suplementação nutricional. Também há casos em que as crianças recebem indicação de leites especiais, com base vegetal ou proteínas hidrolisadas.

APLV é diferente de intolerância à lactose

A APLV tem sintomas gastrointestinais, mas também pode produzir efeitos como vermelhidão, coceira e falta de ar. São consequências diferentes da intolerância à lactose, que é o que acontece quando o intestino não produz uma enzima chamada lactase. Nesse caso, os sintomas incluem gases, cólicas e diarreia, por exemplo.

Então, ainda que sejam reações ao leite, a APLV e a intolerância à lactose têm origens diferentes e podem causar sintomas diversos no organismo.

Com o correto diagnóstico e tratamento é possível ter ganho na melhoria da qualidade de vida. Na Policlínica Botafogo contamos com tratamento, vacinas para alergias e uma equipe médica especializada para monitorar os avanços do seu quadro clínico. Agende uma consulta.

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