Dermatite atópica

Quais os sintomas?

Manifesta-se como um eczema, ou seja, por lesões inflamatórias crônicas e recorrentes da pele acompanhadas de coceira intensa e pele seca, que muitas vezes evoluem para feridas.

Pode manifestar-se de diversas formas, desde casos leves, com discreto acometimento da pele, até casos graves, onde as lesões são intensas e disseminadas. No bebê as lesões predominam na face (bochechas), pescoço, couro cabeludo e, ocasionalmente, no resto do corpo. Em crianças maiores, adolescentes e adultos a DA atinge as dobras dos braços e pernas, face (em pálpebras), nádegas e pescoço.

O que acontece com a pele?
DA se caracteriza por um processo inflamatório da pele com períodos alternados de melhora e piora. Os intervalos podem ser de dias, meses ou anos entre uma crise e outra, mas alguns pacientes mantêm doença crônica contínua.
Não é contagiosa e está associada à outras doenças alérgicas como asma e rinite. Além de ter um fator hereditário, que determina a secura da pele, a DA pode ter vários desencadeantes como alimentos, aeroalérgenos (ácaros, fungos, epitélio de animais), perfumes e suor. Os aspectos emocionais desempenham um importante papel, tanto funcionando como fator desencadeante como agravante.
A pele tem uma diminuição na produção de gorduras naturais ficando mais seca, o que provoca coceira e feridas, facilitando infecção por bactérias e fungos. Essas mesmas bactérias e fungos podem piorar a dermatite e dificultar o controle da doença.
Estudos mostram que metade das pessoas adultas com dermatite atópica nas formas mais severas sofre com ansiedade ou depressão e 55% apresentam problemas para dormir, muitos por causa da coceira.

Tratamento:
Consiste em três pilares fundamentais:
1- Afastamento de fatores irritantes e desencadeantes
Os irritantes mais comumente implicados são: detergentes, sabões, amaciantes, roupas sintéticas, etiquetas, materiais abrasivos, poluentes, produtos químicos e condições extremas de temperatura e umidade. Deve-se utilizar sabão de glicerina neutro para roupa em geral; roupas novas devem ser lavadas previamente ao uso para reduzir a concentração de irritantes; o vestuário, de preferência, deve ser de tecido de algodão a 100%; sabonetes e xampus neutros e sem perfume; banho rápido (5-10 min máximo) com temperatura amena, máximo 1-2 banhos ao dia, nunca utilizar buchas. Logo após o banho hidratar com a pele ainda úmida. Banhos de sol devem ser, de preferência, nas primeiras horas da manhã ou ao entardecer. Ao sair da piscina ou praia, tirar a roupa molhada e tomar um banho rápido, com aplicação de creme hidratante em seguida. Usar protetor solar sempre que se expuser ao sol.

Usar roupas leves. Evitar roupas apertadas e de cor escura no verão. Preferir tecidos de algodão e malhas. Evitar tecidos sintéticos, lycra ou jeans.

Evitar os alérgenos que o paciente comprovadamente tem alergia. Se foi feito um prick teste ou exame de sangue e deu positivo para ácaros, pelos de animais, fungos etc isso tudo deve ser evitado ao máximo. É o chamado controle de ambiente. Esses pacientes podem ter indicação também de imunoterapia. Alguns pacientes com formas graves de dermatite atópica podem piorar ao ingerir determinados alimentos. Isso deve ser pesquisado pelo médico e caso seja comprovado a alergia alimentar deve-se fazer dieta de exclusão.

2- Hidratação adequada e continuada da pele
A hidratação adequada é a base do tratamento. Mesmo quando estiver fora da crise deve-se manter hidratação para prevenir a recidiva da doença. Existem diversos hidratantes no mercado com preços para todos os bolsos. Para mim o mais importante é abusar do hidrante, prefiro que compre um hidratante mais barato e use 4-5x/dia do que comprar o mais caro da farmácia e economizar no uso.
Uma técnica interessante para hidratar a pele chama-se wet wrap (compressa úmida) e a técnica do pijama úmido. Em pacientes com lesões crônicas e que não estão melhorando apenas com hidratação convencional pode-se utiliza-las.
A noite, após aplicar a medicação prescrita pelo médico (corticoide tópico, tacrolino) deve-se passar uma grande quantidade de hidratante na lesão e depois enfaixar com atadura úmida, Por cima cobre-se com atadura seca e só retira no dia seguinte. Não se pode usar no pescoço ou tórax para não correr o risco de asfixiar o paciente. O hidratante passa a noite atuando na pele e por estar coberta o paciente não coça a lesão. Ao retirar pela manha a atadura costuma estar seca e a pele muita mais hidratada, Pode-se repetir por várias noites até melhora do quadro. Quando a lesão é extensa, de forma similar, usa-se a técnica do pijama úmido. Após passar hidratante em todo corpo em abundância coloca-se um pijama de algodão úmido e um seco por cima e a criança vai dormir. Pela manha retira-se o pijama que deve estar seco e a pele bem melhor. Não se preocupe que ninguém ficará resfriado fazendo isso.

3- Controle da inflamação e prurido com medicamentos
Os corticoides tópicos diminuem a inflamação e a coceira. São divididos de acordo com sua potência e ao escolher qual usar leva-se em consideração a intensidade da lesão e a localização. Os cremes são usados em lesões agudas as pomadas nas lesões crônicas. Tem a vantagem de serem baratos. Para os pacientes com recidivas frequentes das lesões pode-se usar a terapia proativa. Consiste em aplicar 2x/semana nos locais que costuma haver recidiva da lesão para prevenção.
Os antihistaminicos são usados para diminuir a coceira e também alguns são usados a noite pelo efeito sedativo.
Os inibidores da calcineurina ( tacrolimo) são imunomoduladores é uma ótima opção para o tratamento da dermatite atópica. Têm ação equivalente ao corticoide tópico de média potência, porém sem os efeitos adversos do mesmo. O principal problema é o preço, sendo bem mais caro que os corticoides.

Em casos de agudização da doença podemos usar corticoides orais por períodos curtos de tempo. Infelizmente seus efeitos colaterais impedem que seja usado por períodos longos e geralmente ao retirar o corticoide oral as lesões recidivam
Imunossupressores orais (ciclosporina, azatioprina, metotrexato etc) são utilizados nos casos de difícil controle. Diferente dos corticoides orais podem ser usados por períodos longos de tempo porém deve-se ter um acompanhamento de perto do paciente com exames e consultas frequentes para detectar precocemente qualquer efeito adverso do medicamento.

Dipilumabe (Dupixent) é uma nova droga que começou a ser comercializada no Brasil em 2019 e promete revolucionar o controle da dermatite atópica grave. Já usada há alguns anos no exterior mostrou importante melhora em 2/3 dos pacientes em que foi utilizada. Seu principal problema é o preço de cerca de 7.000RS por mês de tratamento, porem esperamos que os planos de saúde e governo com o tempo disponibilizem para os pacientes.

Pacientes com dermatite atópica têm mais chance complicar com infecções de pele por bactérias, fungos e vírus. Quando a pele fica com casquinhas, muito vermelha e saindo secreção provavelmente é uma infecção bacteriana secundária. Nesse caso o médico irá iniciar antibiótico tópicos ou sistêmicos, dependendo da extensão acometida. Em casos de infecção de pele recorrente pode-se fazer o banho com água sanitária (hipoclorito de sódio).

A técnica consiste em diluir 160ml de água sanitária em uma banheira com água cheia até 10cm e submergir o corpo por 10min, antes de tomar o banho normalmente. Caso não tenha banheira em casa pode-se diluir 1 colher de sopa de água sanitária em 1 litro de água e usar um borrifador de plantas para jogar no corpo antes do banho, deixando também por 10 minutos. O objetivo e diminuir o número de colônias bacterianas na pele diminuindo as recorrências. Links uteis: http://www.aada.org.br/ AADA - Associação de Apoio à Dermatite Atópica https://www.fondation-dermatite-atopique.org/pt Fondation Dermatite Atopique- Fundação para a Dermatite Atópica